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Cursos do Pronera estimulam estudos sobre fitoterapia em assentamentos


Publicado dia 21/07/2017

Horto medicinal é fonte de matéria-prima para processamento de plantas.

 

A implantação de laboratório fitoterápico e horto medicinal diversificou os conhecimentos de um grupo de estudantes do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) no Rio Grande do Sul. Eles são atendidos pelo convênio mantido entre Incra e Instituto Educar, que fica em Pontão a 320 quilômetros de Porto Alegre. Durante as aulas presenciais do tempo escola, os alunos aproveitam a estrutura de ensino para explorar potencialidades de uso das plantas e enriquecer sua formação profissional.

A atuação conjunta do Incra e do Instituto Educar iniciou em 2009 e atualmente beneficia 125 educandos de assentamentos. Do total, 103 cursam graduação em Agronomia, em parceria com a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), enquanto 22 frequentam o Técnico em Agropecuária com Habilitação em Agroecologia, mantido com apoio do Instituto Federal do Rio Grande do Sul - Campus Sertão.

Em paralelo às duas formações, os alunos dispõem de oficinas periódicas no laboratório de fitoterapia implantado há cerca de dois anos com o lema “Plantando Saberes, Semeando Vidas”. Acompanhados por educadores, eles aprendem a processar as plantas e empregá-las no cotidiano rural. Junto com a promoção da saúde, a agricultura é um dos focos da iniciativa. “A Tagetes minuta (popularmente conhecida como cravo-de-defunto) é considerada daninha, mas funciona como repetente nas lavouras. Isso serve para a disciplina de Entomologia (especialidade da Biologia que estuda os insetos)”, exemplifica o professor Jacir Chies.

Segundo o engenheiro agrônomo, cada período do ano oferece uma gama de espécies com substâncias úteis. A utilização deve seguir a legislação, recomendações científicas e utilizar a listagem de fitoterápicos indicados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como referência.

Experimentos

A acadêmica de Agronomia Michelly Rabello Lopes ocupa as horas vagas do tempo escola testando técnicas na obtenção de substratos no laboratório. “Depois de tentar com a casca, vimos que a melhor parte para obter óleo de eucalipto são as folhas”, conta.

Assentada em Terenos, Mato Grosso do Sul, a agricultora aproveita temporadas em casa para coletar saberes tradicionais. Depois, troca informações com os colegas do Sul e faz verificações no laboratório. “É uma forma de agregar conhecimento para mim e minha comunidade a partir de experiências de outros ecossistemas. Quando me formar, vou saber combater problemas usando produtos mais naturais. Um exemplo é usar alho contra fungos ou manipueira (líquido da mandioca) contra nematoides”.

A estudante também salienta a importância de obedecer quantidades e procedimentos de segurança no manejo de cada derivado. Empolgada com os resultados já obtidos, não descarta a possibilidade de apresentar um projeto junto a entidades financiadoras de pesquisa. O plano de longo prazo é construir um pequeno laboratório em seu assentamento. “Para ampliar o acesso à fitoterapia”, idealiza.

Saúde

Além de aprender sobre processamento e armazenagem, os estudantes dedicam-se a cultivar espécies com potencial de cura no horto medicinal. “A gurizada tem cuidado especial com as plantas. Trazem mudas de casa, limpam os canteiros e adubam”, relata Salete Campigotto, coordenadora de educação do Instituto Educar.

A dedicação enriquece também a alimentação dos alunos. O horto fornece erva-doce para os panificados, além de chás e sucos servidos no lanche das 22 horas. “Previne doenças no inverno e refresca no verão”, justifica Salete.

A educadora também ajuda os estudantes a transformarem extratos gerados no laboratório de fitoterapia em produtos de uso caseiro como sabonetes, xampus e talcos. “Queremos incentivar que cada família tenha o seu cantinho com ervas para promover a saúde”, defende.

Pronera

O Pronera é o programa do Incra que apoia a oferta de cursos de educação básica, técnicos profissionalizantes de nível médio, superiores e de pós-graduação para jovens e adultos de assentamentos da reforma agrária. Também podem se inscrever os agricultores do Programa Nacional de Crédito Fundiário, quilombolas e trabalhadores acampados cadastrados pela autarquia.

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