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Horticultura orgânica garante renda para 50 famílias assentadas em Sergipe


Publicado dia 04/12/2018
 
Em um campo cercado por equipamentos de irrigação e sob o forte sol que domina o interior sergipano nesta época do ano, o agricultor José Wilton dos Santos, a esposa Josivânia, seus irmãos e cunhados trabalham sem parada. Além deles, outros cinco ajudantes contratados  - entre fixos e temporários – auxiliam e se revezam entre os cuidados com a terra e o manejo da extensa variedade de cultivos. Santos é um exemplo do grupo de 50 produtores do assentamento Oito de Março – localizado no município de Itaporanga D´Ajuda, distante cerca de 30 quilômetros da capital sergipana, Aracaju –, que apostam pesado na horticultura orgânica.
 
A pressa se justifica, é véspera de feira, hora de colher, armazenar e preparar para transporte de produtos que garantem mesa farta e tranquilidade durante todo o mês para a família.
 
Acompanhando o trabalho do vizinho, o agricultor José Batista dos Santos sentencia, “Quem trabalha com horta tem sempre barriga cheia”. Assim como Wilton, ele também integra o grupo de produtores do assentamento Oito de Março. “O trabalho com a horta é garantido. Se outros produtos estão em baixa, a horta segura a renda. Pra mim, tudo veio dela - carro, moto, animais, até o equipamento para irrigar”, contou Santos.
 
Com mercado garantido em feiras nos municípios de Nossa Senhora do Socorro, Itabaiana, Areia Branca, Itaporanga D´Ajuda e na capital, Aracaju, o grupo consolida renda e investe na própria produção. “Todos os lotes estão produzindo com equipamentos de irrigação adquiridos pelos próprios assentados. Eles trabalham e se estruturam”, afirmou Luiz Mario Alfano, técnico do Incra, responsável pela supervisão ocupacional e acompanhamento do assentamento Oito de Março.
 
Aportes sazonais
 
Além da horticultura, garantia de renda semanal, famílias como a de Santos também investem em culturas de ganho sazonal. É o caso da batata-doce, colhida a cada três meses pelo agricultor e comercializada além das “fronteiras” sergipanas. “Mais ou menos a cada três meses, o pessoal vem pra cá e enche os caminhões com a batata. Levam tudo para Salvador e para algumas cidades da Bahia”, explicou o agricultor.
 
Ao todo, somente no lote de Santos são retiradas a cada trimestre cerca de 20 toneladas de batata-doce. “A batata é o carro-chefe dele e de boa parte dos produtores. Por isso, a produção é grande. Mas eles também chegam a vender em grandes quantidades a pimenta, que já abasteceu uma indústria aqui de Sergipe, o quiabo e a couve, que também tem mercado na Bahia”, comentou Alfano.
 
Orgânicos
 
Se a batata-doce e outros cultivos garantem importantes aportes sazonais na renda das famílias, é mesmo na horticultura que elas asseguram sua autonomia financeira.
 
Com um leque produtivo de cerca de 13 diferentes cultivos, os agricultores do assentamento ganham destaque e conquistam a preferência dos consumidores nas feiras por onde passam. “A qualidade dos alimentos que eles produzem chama a atenção. É visível”, analisou o técnico do Incra.
 
Uma conquista de mercado resultado de outra importante aposta feita pelos agricultores. 
 
Capacitados em cursos promovidos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), o grupo adotou o cultivo orgânico como trunfo para as vendas. Livres de agrotóxicos, as verduras e legumes do Oito de Março batem a concorrência nas feiras livres com alguma facilidade. “A gente leva as verduras e os legumes, o pessoal olha o nosso, olha o de quem produz do jeito convencional, e escolhe o da gente. Eles sabem pela cor, pelo tamanho, que o nosso não tem veneno, então todo mundo prefere”, explicou Santos.
 
Mais produtores
 
O sucesso do trabalho desenvolvido pelos agricultores tende a ampliar o número de horticultores do assentamento.
 
Cercado por riachos, que facilitam a irrigação dos lotes, o projeto receberá, em breve, kits de irrigação oferecidos pelo Incra, que deverão estimular o ingresso de novos agricultores no mercado da horticultura. “Estamos trabalhando para entregar esses kits. A ideia é fazer com que mais assentados invistam nesse trabalho com a horticultura, aproveitando o potencial que a área possui”, explicou Alfano. 
 
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