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Incra libera créditos para projetos produtivos liderados por mulheres no Ceará


Publicado dia 18/12/2018
 
Projetos produtivos ganham vida na força e sensibilidade de mulheres assentadas no Ceará por meio do Fomento Mulher. O crédito do Incra destinado ao incremento da produção sob a responsabilidade feminina nas áreas reformadas já beneficiou, de janeiro a novembro deste ano, 2.615 famílias no estado, em um investimento de R$ 10,4 milhões. Recursos que fortalecem o papel da mulher na economia familiar e potencializam vocações econômicas nos assentamentos.
 
O crédito disponibiliza R$ 5 mil por família, para aplicação em atividades produtivas sob gestão da mulher assentada. São as ideias e iniciativas delas que valem para a execução dos projetos, elaborados e acompanhados por técnicos do Incra ou parceiros como prefeituras e instituições públicas de assistência técnica.
 
“Com os créditos e o Fomento Mulher, o Incra estimula oportunidades para que os assentados se tornem empreendedores, através da formação de um pequeno negócio que gere renda para a família”, ressalta o superintendente do Incra no Ceará, Marcos Cals.
 
Após a assinatura de contratos, as beneficiadas recebem os valores no banco, através de cartões magnéticos. O recurso é reembolsável depois de um ano, mas com rebate de 80% do valor disponibilizado.
 
Projetos produtivos e gestão de pequenos negócios
 
Elisangela Mendes e a sogra aplicaram os créditos, recebidos ainda nos valores antigos de R$ 3 mil, na criação de cabras, ovelhas e galinhas. Ainda compraram material para confecção de artesanato feito com recicláveis. A produção delas e de parte das outras 28 mulheres beneficiadas em São Francisco, área reformada em Icapuí (CE), já vem sendo comercializada através de duas barracas cedidas à comunidade pelo programa Terra Sol, do Incra, montadas aos finais de semana na entrada do assentamento.
 
São frutas, verduras, galinhas, ovos, bolos e derivados do caju, como castanhas e mel, expostos à venda. “O crédito foi muito valioso para a gente começar uma criação, para se manter, e as barracas têm ajudado muito para vender o que a gente produz aqui”, explica Elisangela.
 
O crédito também contribuiu para a geração de pequenos negócios e oferta de serviços no meio rural. A jovem Rayla de Gois e sua mãe, por exemplo, resolveram investir na lan house que abriram em casa, no assentamento São Francisco.
 
Agora as crianças da comunidade jogam com um aparelho de jogos X-BOX conectado a uma TV de led de 43 polegadas, adquiridos com o Fomento Mulher, junto com um notebook e uma impressora. "É muito comum vir alguém do assentamento pedir pra imprimir algum documento, tirar xerox ou fazer currículo com a gente", explica Antônio Cícero, marido e ajudante de Rayla no pequeno empreendimento.
 
Turismo rural
 
Para Fernanda Cordeiro dos Santos, uma das 20 pessoas beneficiadas em novembro com o crédito no assentamento Coqueirinho, em Fortim (CE), o Fomento Mulher trouxe a chance de liderar um projeto próprio pela primeira vez. Junto com a nora, investiu na criação de galinha caipira e suínos. “O crédito é uma responsabilidade grande, porque a mulher nunca teve isso, era sempre o homem quem dava conta de receber, hoje vejo todas as mulheres de Coqueirinho empolgadas com o investimento”, avalia.
 
Ainda entre as beneficiadas com o crédito em Coqueirinho, Zildene do Carmo Nogueira também pretende aplicar o recurso na criação de galinha caipira e suínos, com o objetivo de fornecer alimentos no restaurante que administra na comunidade, famosa pelo turismo rural que desenvolve no litoral leste do estado. “O hóspede do assentamento terá galinha caipira e ovos produzidos aqui no meu quintal”, diz, orgulhosa.
 
Já Fernanda Sousa de Oliveira, além de investir em criações de animais, deseja usar parte do recurso na compra de equipamentos para a cozinha de outro espaço gastronômico local, onde são servidos lanches e café da manhã aos hóspedes da pousada de Coqueirinho. “Às vezes vem muita gente pra cá e não temos pratos e talheres suficientes, temos que pedir emprestado, então pretendemos resolver isso”, explica o marido Carlos Messias, que ajuda Fernanda na gestão do restaurante.
 
Os créditos também serão usados na compra de equipamentos e matérias primas para produção de bolos artesanais produzidos pelas mulheres da comunidade. “Nossa expectativa é aumentar o fornecimento dos nossos bolos para a merenda escolar”, explica Zildene. Atualmente ,o assentamento fornece 19 quilos de bolinhos por semana, mas a expectativa é alcançar 60 quilos, com a previsão de atender mais três escolas em 2019.
 
 
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