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Incra sedia curso de análise financeira em áreas extrativistas do Pará


Publicado dia 04/08/2017

 

Técnicos de órgãos governamentais e não governamentais, lideranças comunitárias de reservas extrativistas (Resex) no estado do Pará e beneficiários das políticas do Programa Nacional de Reforma Agrária participaram, dias 3 e 4 de agosto, na sede do Incra em Belém, de oficina de capacitação na metodologia Green Value, promovida pelo Grupo de Trabalho (GT) Manejo Florestal Comunitário do Marajó. O Green Value (Valor Verde em português) é uma ferramenta simplificada que permite identificar e avaliar os indicadores e a situação financeira de empreendimentos rurais.

A instrutora do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e chefe da Resex Terra Grande Pracuúba, em Curralinho e São Sebastião da Boa Vista, Simone Albarado, ressalta que as experiências e as demandas das comunidades representadas serviram como estudo de caso para as atividades práticas do curso. Segundo ela, o Green Value é a ferramenta adequada para a gestão financeira de atividades, como lavoura, fruticultura, piscicultura e manejo do açaí, praticadas por comunidades extrativistas, ribeirinhas e tradicionais da Amazônia. “A razão principal é a simplicidade da ferramenta, de uso fácil por não especialistas”.

Metodologia simplificada

Outra vantagem, segundo ela, são as informações geradas, a partir de planilhas, que contribuem para a tomada rápida de decisões sobre o empreendimento analisado.

A técnica do ICMBio diz que para funcionar adequadamente é importante que a metodologia integre a experiência e a demanda dos atores econômicos no contexto da cadeia produtiva em que estão inseridos. “É nas Unidades de Conservação de Uso Sustentável que a metodologia está sendo disseminada, por meio das oficinas organizadas pelo GT do Marajó”.

Origem comunitária

Essa crescente disseminação da metodologia em comunidades amazônicas pode ser explicada pela sua origem: pensada e construída a partir de experiências comunitárias, segundo explicou Ana Vieira, Coordenadora do Programa Florestas Comunitárias do Instituto Floresta Tropical (IFT), organização não-governamental que anima o GT do Marajó e participou do desenvolvimento da ferramenta.

A metodologia Green Value foi desenvolvida em tese de doutorado da norte-americana Shoana Humphries, com colaboração do Dr. Thomas Holmes, cujo objeto de pesquisa era o Manejo Florestal Comunitário no Brasil e no México. Ao analisar a viabilidade financeira das iniciativas florestais, Shoana constatou, por exemplo, que alguns custos ou não eram incluídos ou eram calculados de forma super ou subvalorizados.

Para a coordenadora do IFT a escolha do Green Value tem base na simplicidade de operacionalização da ferramenta, ao contrário de metodologias empresariais que exigem conhecimentos técnicos. Por ser auto-explicativa e de fácil domínio, a metodologia reúne requisitos para aplicação em projetos agroextrativistas e organizações comunitárias.

Aplicação agroextrativista

É justamente a facilidade de aplicação da ferramenta na análise financeira de empreendimentos comunitários que despertou o interesse dos técnicos do Incra que atuam na área ambiental, de assistência técnica e regularização de territórios quilombolas do instituto.

Na avaliação do chefe do Serviço de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Superintendência Regional do Incra, Ronaldo Coelho, a aplicação da metodologia em projetos agroextrativista vai permitir a análise de um elemento fundamental para a viabilidade financeira e ambiental das iniciativas comunitárias, que é o conhecimento do custos e real valor dos produtos e serviços prestados pelas famílias beneficiárias das políticas agrárias.

Com base na metodologia, afirmou Ronaldo, os técnicos poderão melhor avaliar o impacto dos gargalos institucionais das politicas públicas nos empreendimentos familiares. Como exemplo, ele citou a falta de aporte inicial e tempo de carência não compatível com o ciclo natural das atividades econômicas praticadas por agricultores, ribeirinhos e extrativistas.

O chefe do Serviço de Meio Ambiente ainda destacou a importância da oficina como espaço integrador e de troca de experiências entre os comunitários e técnicos das instituições que participam do GT Manejo Comunitário Florestal do Marajó.

Criado em 2014, o GT é composto por ICMBio, Incra, IFT, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater-PA), Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio) e Instituto Internacional de Educação no Brasil (IEB).

A oficina teve o apoio do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) e Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).

 

Assessoria de Comunicação Social do Incra/PA
(91) 3202-3853 / 9104-6987
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