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Parceiros visitam iniciativas do Programa Terra Forte


Publicado dia 10/02/2017
Projeto de abatedouro e frigorífico da Coopan inaugurou fase de obras físicas do Programa Terra Forte
Crédito: Milton Jardim - Incra/RS


Criado para fomentar a agroindustrialização e a comercialização de produtos oriundos da reforma agrária, o Programa Terra Forte começa a demonstrar resultados no campo. Na quinta-feira (9), representantes das oito entidades coordenadoras da ação em nível nacional visitaram dois empreendimentos contemplados no Rio Grande do Sul. Um deles foi o abatedouro e frigorífico da Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan) – primeiro projeto financiado a entrar em fase de construção no País.

A comitiva, formada por gestores e técnicos de Brasília, Rio de Janeiro e Porto Alegre, foi recebida pelos agricultores, acompanhados por profissionais atuantes nos projetos e por autoridades locais.

O diretor de Desenvolvimento de Projetos de Assentamento do Incra, Ewerton Giovanni dos Santos, enfatizou o estágio de consolidação do Programa. “Até agora, o maior produto do Terra Forte havia sido um grande estudo, que gerou muito conhecimento e planejamento sobre as agroindústrias e as cadeias produtivas dos assentamentos. A atividade de hoje marca o início de uma nova etapa: as obras que transformam os projetos em realidade”.

Para o superintendente regional do Instituto no Rio Grande do Sul, André Bessow, o Programa é “um dos mecanismos de estímulo à produção e à qualidade de vida nos assentamentos que ajudam a robustecer o processo de reforma agrária”. Ele também salientou o grande número de agricultores beneficiados por meio de cooperativas e associações, observando que a concretização dos dois empreendimentos visitados deve beneficiar conjuntamente cerca de 1,4 mil famílias.

Ainda durante o encontro, o diretor de Diálogos Sociais da Secretaria de Governo da Presidência da República, João Mendes, ressaltou que a diversidade de segmentos comprometidos com a proposta aumenta o desafio de interlocução, mas produz resultados vantajosos. “O Programa coloca os assentados em um patamar de inclusão no mercado”, considera. Os projetos aprovados pelo Terra Forte exigem estudos mercadológicos e preveem a possibilidade de escoamento por meio de compras institucionais.

Agroindústrias

Localizado no assentamento Capela, em Nova Santa Rita, o abatedouro da Coopan foi contemplado pelo financiamento de R$ 6,5 milhões. Os efeitos da parcela já liberada, de R$ 1,8 milhão, podem ser vistos nas obras em curso de dois pavilhões, com total de 2,5 mil metros quadrados.

As construções, que iniciaram em setembro de 2016, irão abrigar curral e uma planta completa para processamento de suínos e 20 bovinos. “Hoje temos somente um abatedouro autorizado a produzir porcos em carcaça. Isso limita muito a procura de compradores”, comenta o presidente da cooperativa, Nilvo Bosa.

Segundo o dirigente, as atuais condições restringem a participação dos 63 cooperados como fornecedores. “A maioria mantém alguns bois no lote, mas poucos criam suínos”, constata.

Outra consequência esperada é a geração de 75 a 110 empregos diretos. “Nossos filhos estão ficando adultos, estudando na universidade e vão trabalhar no que é nosso, sem sair do assentamento”, relata. Segundo os estudos que embasaram a proposta de financiamento, os benefícios devem estender-se a cerca de 200 famílias integradas em cooperativas parceiras.

Aspectos ambientais também constam no plano. O espaço para açudes de contenção do esgoto está sendo preparado, o projeto arquitetônico destina a água da chuva para irrigar lavouras e lavar currais. Além disso, as emissões atmosféricas receberão tratamento adequado. O sistema será integrado a uma beneficiadora de arroz orgânico, existente no próprio assentamento, com o objetivo de criar um ciclo autossustentável e mútuo de reaproveitamentos.

O segundo empreendimento visitado é coordenado pela Cooperativa dos Trabalhadores Assentados na Região de Porto Alegre (Cootap), que pleiteia investimentos de R$ 21,8 milhões entre recursos reembolsáveis e contrapartida para a construção de um complexo de beneficiamento e parboilização de arroz agroecológico. A unidade deve ser instalada no assentamento Lanceiros Negros, em Eldorado do Sul, e representa o maior projeto em volume de recursos aprovado pelo Terra Forte.

A iniciativa envolve cerca de 1,2 mil famílias e deve beneficiar até 14,8 mil toneladas de arroz branco e integral por ano. No mesmo período, pode gerar 8,1 toneladas do produto parboilizado.

Maturidade

Para o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Clariton Ribas, que assessorou a elaboração dos projetos aprovados pelo Terra Forte nos três estados da Região Sul e em São Paulo, um dos diferenciais do Programa foi o tempo e o esforço destinado à qualificação das propostas. Todos os proponentes selecionados na primeira fase – ocorrida em 2013 – receberam capacitação e auxílio para embasarem a ideia original nos aspectos técnicos, legais, gerenciais, organizativos, ambientais e financeiros. “É uma forma de assegurar que o dinheiro público investido terá retorno”, observa.

Cooperação

O Programa Terra Forte é resultado da parceria de oito instituições: Incra, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA), Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), Secretaria de Governo da Presidência da República, Fundação Banco do Brasil (FBB), Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Também conta com apoio de universidades e empresas contratadas para auxiliarem na confecção dos planos.

Atualmente, a Carteira de Projetos do Terra Forte é composta por 32 propostas habilitadas a receber financiamento, totalizando R$ 138 milhões entre recursos reembolsáveis e não reembolsáveis. Além da Coopan e da Cootap, mais três entidades localizadas em assentamentos gaúchos estão aptas: Cooperativa de Produção Agropecuária de Piratini Ltda (Coopava), Cooperativa de Produtores Orgânicos de Reforma Agrária de Viamão (Coperav) e Cooperativa Regional dos Assentados da Fronteira Oeste (Cooperforte).

* Matéria atualizada em 15/02/2017, às 17h05.

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