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"Ser assentado não é só ter um pedaço de terra. É preciso ter o pedaço de terra e principalmente ter um planejamento, saber o que fazer com ele, porque o patrimônio do assentado é a terra". É assim que José Pavuna percebe a realidade nos assentamentos.
Morador do assentamento Cachoeirinha, no município de Tumiritinga (MG), desde a sua criação pela Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária em Minas Gerais (Incra/MG), em 1996, José Pavuna conta que o desenvolvimento do projeto é fruto, em grande parte, da vontade que o agricultor familiar tem de produzir, melhorar o espaço que recebe e, assim, melhorar sua qualidade de vida e de seus familiares.
Ele também destaca a importância de, uma vez assentadas, as pessoas não se preocuparem apenas com o seu lote, mas com o sucesso do projeto como um todo, prevalecendo sempre a união do grupo que lutou pelo seu espaço e pela infraestrutura de seus lotes. "Hoje as 33 famílias que moram aqui no Cachoeirinha, têm água tratada e energia elétrica, áreas de lazer com campinho de futebol e pista de argolinhas para as crianças. Uma conquista de todos", pontua o trabalhador rural.
A diversificação no plantio é apontada pelo produtor como uma das fórmulas responsáveis pelo sucesso da vida nos assentamentos. "Cultivamos de tudo um pouco em nosso lote. Produzimos cerca de 40 litros de leite diariamente, temos mais dois mil pés de café, cultivamos banana, abacaxi, coco, abóbora, pinha, graviola, limão. Vamos plantar agora pimenta do reino e maracujá, uma tentativa de aproveitar ainda mais o espaço", enumera o assentado. José Pavuna diz que a diversificação permite vender sempre alguma coisa em Tumiritinga, que fica a apenas dois quilômetros do assentamento. "Foi pensando assim que criei meus três filhos, sustentei minha família", lembra.
Nilson Graça de Souza e sua família mostram que a dedicação na terra traz mesmo bons resultados. Desde 1999 quando foi criado o assentamento Divisa, em Ituiutaba (MG), o pequeno agricultor se dedica à plantação de café, de abacaxi e à criação de vacas leiteiras que produzem diariamente cerca de 100 litros de leite. Nestes 11 anos, grande parte do dinheiro recebido com a venda dos produtos, seu Nilson reinvestiu na produção, que, como ele mesmo avalia, "está mais moderna, conta com equipamentos mais eficientes, o que permite produzir e vender ainda mais".
Ele explica que o sucesso do plantio e da boa colheita dependem da relação que se tem com a terra. "Quando eu cheguei aqui não tinha nada, nem uma árvore para esconder a bicicleta, um verdadeiro deserto. Hoje, tudo o que planto dá. Acredito que você consegue mudar o ambiente que vive, basta fazer parte dele". Na avaliação do assentado o mais importante é tratar a terra como uma parceira e não como um objeto.
No lote de José Pavuna, do assentamento Cachoeirinha, ou nas terras de Nilson, em Ituiutaba, a produção é resultado de um trabalho conjunto: dos recursos públicos aplicados na terra e do esforço e dedicação no plantio. Assim a produção, que, por algum tempo, serve como alimento da família passa a ser importante fonte de renda para trazer melhores condições de vida e desenvolver o assentamento.
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