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Assentados do Vale do Jequitinhonha movimentam comércio na região PDF Imprimir E-mail
Qua, 28 de Julho de 2010 14:24

A terra é fértil. A vontade de plantar e colher é grande. Mas uma dificuldade enfrentada por produtores rurais de vários assentamentos espalhados pelo país é a venda da produção. Um problema que tem solução. Bastou um pouco de criatividade para que moradores do assentamento Campo Novo, no município de Jequitinhonha, no Vale do Jequitinhonha, driblassem esse obstáculo.

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"No início, cada agricultor organizava sua produção, enfrentava alguns quilômetros de estrada até chegar à cidade e vendia seus produtos nas praças e ruas", conta seu Manoel Pereira dos Santos, presidente da associação dos assentados do Campo Novo. Segundo ele, esse foi o ponto de partida para que, alguns anos mais tarde, a prefeitura de Jequitinhonha autorizasse o uso da principal avenida da cidade para organização de uma feira livre com toda a produção do assentamento.

A Feira dos Assentados, como é conhecida no município de Jequitinhonha já funciona há seis anos e hoje conta, semanalmente, com a participação de pelo menos 30 produtores do Campo Novo e do assentamento Transval, também no município de Jequitinhonha. "Nosso principal objetivo é incentivar os produtores, para que todos possam trazer alguma coisa para vender", comenta Valdete Sirqueira dos Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) e moradora do Transval.

Valdete lembra que no inicio, os pequenos agricultores enfrentaram algumas dificuldades, e chegaram a expor seus produtos no chão. "Agora, cada um tem sua barraca. Os produtos são organizados com mais higiene e mais valorizados. Voltamos para casa com o mínimo. Nossas hortaliças são saudáveis, livres de agrotóxicos. Bom para quem vende e, principalmente para quem compra e consome", destaca a presidente do STR.

Na feirinha, moradores do município encontram hortaliças, legumes, temperos caseiros, leite e derivados, como queijo, manteiga e requeijão. Seu Manoel revela que cada assentado tem uma expectativa e uma produção diferentes. Apesar disso, às quartas-feiras o sentimento que prevalece é a união do grupo. "Às três horas da manhã já estamos com tudo pronto. Eu passo de lote em lote recolhendo a produção com a caminhonete, e meu irmão, José Antônio, vai de ônibus buscar o pessoal", explica Manoel.

Ele conta ainda que grande parte do dinheiro ganho com as vendas na feirinha é investida na lavoura, principalmente na irrigação. Isso porque, moradores do Campo Novo se dedicam principalmente à produção de hortaliças em função de facilidades no plantio, colheita e, sobretudo na irrigação, já que a falta de água na região ainda representa grande entrave à diversificação da produção no assentamento.

Os resultados da agricultura familiar

Assim como acontece em grande parte dos assentamentos da reforma agrária do estado, agricultores familiares do Campo Novo e Transval também investem na criação de vacas leiteiras e produção de derivados do leite como manteiga, queijo e requeijão. A abóbora e o milho também respondem por grande parte da produção dos lotes no norte de Minas.


Segundo dados do último senso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), existem mais de 4,3 milhões de propriedades agrícolas familiares no Brasil nas quais os agricultores familiares respondem pela produção de 87% da mandioca consumida no país, 70% do feijão, 58% do leite e 46% do milho.

 

 
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